A Criação de Personagens

Características básicas de criação de um personagem em uma narrativa. Por Sandro Massarani "Bem, ninguém é perfeito" Osgood Fielding III (Joe Brown) - Quanto Mais Quente Melhor Este texto deve ser usado em conjunto com a Ficha Básica de Personagem (PDF). Um personagem bem construído é fundamental para o funcionamento de uma história e de sua narrativa. Um escritor deve, através do roteiro, saber criar personagens marcantes que consigam provocar na audiência as emoções desejadas, sejam elas de atração ou de repulsa, amor ou ódio, preocupação ou indiferença. A Necessidade Dramática Talvez o passo mais importante para a criação de um personagem seja o de saber qual é a sua NECESSIDADE DRAMÁTICA. O que esse personagem quer na história? Todo personagem precisa de um objetivo, caso contrário será apenas uma carcaça vazia. Esse objetivo dramático não deve ser construído apenas para os personagens principais, mas também para os personagens coadjuvantes. Além disso, a motivação do personagem precisa ser convincente. O roteiro precisa deixar bem claro a importância do objetivo para o personagem. É uma falha grave fazermos o personagem atravessar toda uma história sem que haja uma forte necessidade por trás de suas ações. A regra tradicional é a de que o personagem precisa agir, correr atrás do seu desejo, e não ficar estático observando o que acontece ao seu redor. Tudo deve ser obtido com sacrifício, para ter maior valor. Geralmente, o personagem enfrenta no fim o seu maior medo, o obstáculo supremo. Esse objetivo não precisa sempre ser algo externo. Pode ser um forte conflito interior, o que geralmente produz obras mais densas e menos comerciais. As Escolhas do Personagem Devemos retratar um personagem pelas suas contradições, escolhas e relações. Cada ação escolhida, cada resposta dada pelo personagem é o que o definirá perante a audiência. A vida nos apresenta a todo momento a oportunidade da escolha. Nossa vida representa nossas escolhas, e com um personagem fictício acontece o mesmo. A roupa de cada dia, a música a ser tocada em uma ocasião íntima, o que dizer em um determinado momento, quais amigos escolher, qual profissão sonhar. A audiência formará sua opinião em relação ao personagem de acordo com as escolhas que ele fizer. Se a audiência se identificar e concordar constantemente com as ações do personagem, a tendência é gostar deste personagem, mesmo que na vida real não exista para o leitor/espectador a possibilidade de realizar e imitar essas mesmas ações. É fundamental que o personagem tenha escolhas difíceis ao longo da obra, caso contrário ele não terá força dramática. São nas horas mais difíceis que conhecemos melhor cada pessoa, e assim também deve ser em uma narrativa. O Arco do Personagem As escolhas feitas pelo personagem não são ações vazias. Elas devem também provocar mudanças em sua personalidade ao longo da história. A narrativa é mais eficiente quando o personagem que começou a história seja transformado pelas suas ações. Chamamos as mudanças ocorridas com o personagem ao longo de uma história de Arco do Personagem. Há uma forte identificação na audiência com pessoas que mudam ao longo de suas vidas. Pode ser uma mudança visível ou uma mudança sutil, mas ambas proporcionam o enriquecimento e o crescimento de um personagem. Dimensões de um personagem Para construirmos um personagem realista, também temos que entender o princípio das dimensões. Um personagem com uma dimensão é um indivíduo que possui apenas um traço de personalidade. Ele ou só é egoísta, ou só bom, ou só mal, ou só rancoroso, etc. Sempre preso dentro de apenas um sentimento. Sua personalidade sendo a mesma dentro de qualquer situação, com respostas automáticas e previsíveis. Os heróis e vilões dos quadrinhos eram assim até Stan Lee e Jack Kirby revolucionarem o meio com seus personagens problemáticos e humanos, começando com o Quarteto Fantástico. A evolução de um personagem de uma dimensão é o personagem bi-dimensional, que por possuir mais uma característica, geralmente contraditória, é um pouco mais complexo. Um personagem pode ser ao mesmo tempo bondoso e super controlador, ou um vilão maldoso e excelente pai de família, ou bonito mas extremamente tímido. Não há um desenvolvimento muito grande, mas personagens bi-dimensionais dão a ilusão de profundidade. Já os personagens de três dimensões são bem realistas com várias contradições. Se você quer que o seu personagem principal tenha mais complexidade e seja mais realista, faça-o tri-dimensional. Logicamente, nem todos os personagens de uma história precisam ser tri-dimensionais. Os personagens terciários raramente possuem mais do que uma dimensão e inclusive alguns personagens secundários podem ter somente uma ou  duas dimensões. Características Físicas As características físicas precisam ser bem detalhadas no processo de criação do personagem. É imprescindível que o caracter principal tenha uma distinção visual destacada, ou seja, um físico, um rosto, um jeito de falar, manias e comportamento diferenciado. Cada indivíduo é único e deve-se evitar a qualquer custo basear um personagem importante de uma história em um estereótipo. Estereótipos são para escritores preguiçosos e fracos, e sempre diminuem a credibilidade de uma narrativa. O Antagonista Tudo que é válido no processo de criação dos personagens principais, também deve ser utilizado para a criação do antagonista, o comumente chamado de "vilão". Muitas vezes, o antagonista acaba se tornando o personagem mais importante da história, e já é célebre o ditado de que o herói é tão bom quanto o seu vilão. Assim como o personagem principal, o antagonista também deve ter uma motivação convincente e deve ser extremamente difícil de ser derrotado. Um dos principais problemas do herói Superman é a falta de bons antagonistas, pois a excessiva força do personagem acaba dificultando processo de criação dos seus inimigos, até para escritores experientes. Conclusão: Estabelecendo Laços entre o Público e o Personagem O objetivo principal na construção de um personagem deve ser o estabelecimento de fortes laços entre ele e o público da obra. Se o personagem for um "herói", o público deve torcer para ele. Se construirmos um vilão eficiente, o público deve odiá-lo, ou como ocorre muitas vezes, também amá-lo. O que queremos que a audiência sinta ao ver o personagem é empatia, e não simpatia. Você pode achar algum personagem simpático mas não se importar e nem torcer por ele. A empatia é muito mais forte. Existem várias formas de fazermos com que o leitor/espectador sinta empatia por um personagem. Podemos fazer com que ele sinta medo e dúvidas, ou seja, humanizá-lo. Podemos tornar o seu objetivo algo praticamente impossível, constituindo uma causa nobre utópica. Pode-se fazer com que o personagem sofra com a vida, mas nunca entregue os pontos (o famoso underdog). Blake Snyder sintetiza muito bem esse princípio, ao defender no início de uma obra uma cena de "Salvar o Gato" (Save the Cat scene) - É a cena onde encontramos o herói e ele realiza uma ação "agradável", daí o exemplo de salvar um gato na árvore, que define um pouco do personagem e conquista a audiência. Um outro exemplo clássico fornecido é o diálogo de cenas iniciais de Pulp Fiction entre John Travolta e Samuel L. Jackson dentro do carro. O diálogo fala sobre nomes de sanduíches e faz a audiência se identificar com personagens que são assassinos. Como essa cena é mostrada antes dos personagens praticarem atos de matança, a audiência já foi conquistada e eles não são vistos como simples bandidos, mas como pessoas reais. ANÁLISES DE UM PERSONAGEM (James Scott Bell) Analise seu Personagem Principal O seu personagem é inesquecível? Cativante? Forte o suficiente para carregar o leitor por todo o enredo? Um personagem principal tem que pular para fora da página. O seu faz isso? O seu personagem evita clichés? Ele é capaz de nos surpreender? O que é único nesse personagem? O objetivo do personagem é forte o suficiente? Como o personagem evolui ao longo da história? Como o personagem demonstra e mostra sua força interior? Analise sua Oposição (Antagonista) A oposição ao seu personagem é interessante? Ela está bem desenvolvida, não sendo apenas algo a ser jogado como obstáculo? Ela acredita (pelo menos em sua mente) na validade de suas ações? Ela é realística? A oposição é tão ou mais forte que o personagem principal? (Deve Ser) Analise a relação entre a Oposição e o Personagem Principal O conflito entre a oposição e o personagem principal é crucial para ambos? Porque eles simplesmente não desistem? Não se afastam? O que os prende? O que os liga? Analise os Personagens Secundários Quais são os objetivos deles no enredo? São vibrantes e/ou interessantes? PERGUNTAS PARA SEU PERSONAGEM (Victoria Lynn Schmidt) Faça também as seguintes perguntas sobre seu personagem:     Ele é introvertido ou extrovertido?     Ele resolve os problemas usando instintos, pensamento lógico ou emoção?     Ele quer mudar o mundo?     Onde ele vive? Descreva seu quarto.     Como ele se sente em relação a sua aparência?     Como ele se sente em relação sua família e filhos?     O que ele pensa sobre o casamento e o sexo oposto?     Quais são seus hobbies?     Quais são seus tipos de amigos?     O que ele acha engraçado e/ou prazeroso?     Como ele se sente em relação a sua sexualidade?     Ele precisa ter sempre o controle sobre o que há em sua volta?     O que outros personagens dizem sobre ele quando ele sai da sala?     Ele leva a vida a sério ou age como uma criança a maior parte do tempo?     Onde ele passa seus tempos vagos?     O que importa para o seu personagem?     O que o motiva?     Como os outros personagens o vêem?     Quais as três coisas que mais possuem valor? Seu modo de vida?     Um objeto?     De que ele tem medo?     Como ele agirá quando estiver com medo? Bons estudos!
tópicos sobre narrativa, roteiros e mundos virtuais
Além do Cotidiano
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A Criação de Personagens

Características básicas de criação de um personagem em uma narrativa. Por Sandro Massarani "Bem, ninguém é perfeito" Osgood Fielding III (Joe Brown) - Quanto Mais Quente Melhor Este texto deve ser usado em conjunto com a Ficha Básica de Personagem (PDF). Um personagem bem construído é fundamental para o funcionamento de uma história e de sua narrativa. Um escritor deve, através do roteiro, saber criar personagens marcantes que consigam provocar na audiência as emoções desejadas, sejam elas de atração ou de repulsa, amor ou ódio, preocupação ou indiferença. A Necessidade Dramática Talvez o passo mais importante para a criação de um personagem seja o de saber qual é a sua NECESSIDADE DRAMÁTICA. O que esse personagem quer na história? Todo personagem precisa de um objetivo, caso contrário será apenas uma carcaça vazia. Esse objetivo dramático não deve ser construído apenas para os personagens principais, mas também para os personagens coadjuvantes. Além disso, a motivação do personagem precisa ser convincente. O roteiro precisa deixar bem claro a importância do objetivo para o personagem. É uma falha grave fazermos o personagem atravessar toda uma história sem que haja uma forte necessidade por trás de suas ações. A regra tradicional é a de que o personagem precisa agir, correr atrás do seu desejo, e não ficar estático observando o que acontece ao seu redor. Tudo deve ser obtido com sacrifício, para ter maior valor. Geralmente, o personagem enfrenta no fim o seu maior medo, o obstáculo supremo. Esse objetivo não precisa sempre ser algo externo. Pode ser um forte conflito interior, o que geralmente produz obras mais densas e menos comerciais. As Escolhas do Personagem Devemos retratar um personagem pelas suas contradições, escolhas e relações. Cada ação escolhida, cada resposta dada pelo personagem é o que o definirá perante a audiência. A vida nos apresenta a todo momento a oportunidade da escolha. Nossa vida representa nossas escolhas, e com um personagem fictício acontece o mesmo. A roupa de cada dia, a música a ser tocada em uma ocasião íntima, o que dizer em um determinado momento, quais amigos escolher, qual profissão sonhar. A audiência formará sua opinião em relação ao personagem de acordo com as escolhas que ele fizer. Se a audiência se identificar e concordar constantemente com as ações do personagem, a tendência é gostar deste personagem, mesmo que na vida real não exista para o leitor/espectador a possibilidade de realizar e imitar essas mesmas ações. É fundamental que o personagem tenha escolhas difíceis ao longo da obra, caso contrário ele não terá força dramática. São nas horas mais difíceis que conhecemos melhor cada pessoa, e assim também deve ser em uma narrativa. O Arco do Personagem As escolhas feitas pelo personagem não são ações vazias. Elas devem também provocar mudanças em sua personalidade ao longo da história. A narrativa é mais eficiente quando o personagem que começou a história seja transformado pelas suas ações. Chamamos as mudanças ocorridas com o personagem ao longo de uma história de Arco do Personagem. Há uma forte identificação na audiência com pessoas que mudam ao longo de suas vidas. Pode ser uma mudança visível ou uma mudança sutil, mas ambas proporcionam o enriquecimento e o crescimento de um personagem. Dimensões de um personagem Para construirmos um personagem realista, também temos que entender o princípio das dimensões. Um personagem com uma dimensão é um indivíduo que possui apenas um traço de personalidade. Ele ou só é egoísta, ou só bom, ou só mal, ou só rancoroso, etc. Sempre preso dentro de apenas um sentimento. Sua personalidade sendo a mesma dentro de qualquer situação, com respostas automáticas e previsíveis. Os heróis e vilões dos quadrinhos eram assim até Stan Lee e Jack Kirby revolucionarem o meio com seus personagens problemáticos e humanos, começando com o Quarteto Fantástico. A evolução de um personagem de uma dimensão é o personagem bi-dimensional, que por possuir mais uma característica, geralmente contraditória, é um pouco mais complexo. Um personagem pode ser ao mesmo tempo bondoso e super controlador, ou um vilão maldoso e excelente pai de família, ou bonito mas extremamente tímido. Não há um desenvolvimento muito grande, mas personagens bi- dimensionais dão a ilusão de profundidade. Já os personagens de três dimensões são bem realistas com várias contradições. Se você quer que o seu personagem principal tenha mais complexidade e seja mais realista, faça-o tri- dimensional. Logicamente, nem todos os personagens de uma história precisam ser tri- dimensionais. Os personagens terciários raramente possuem mais do que uma dimensão e inclusive alguns personagens secundários podem ter somente uma ou  duas dimensões. Características Físicas As características físicas precisam ser bem detalhadas no processo de criação do personagem. É imprescindível que o caracter principal tenha uma distinção visual destacada, ou seja, um físico, um rosto, um jeito de falar, manias e comportamento diferenciado. Cada indivíduo é único e deve-se evitar a qualquer custo basear um personagem importante de uma história em um estereótipo. Estereótipos são para escritores preguiçosos e fracos, e sempre diminuem a credibilidade de uma narrativa. O Antagonista Tudo que é válido no processo de criação dos personagens principais, também deve ser utilizado para a criação do antagonista, o comumente chamado de "vilão". Muitas vezes, o antagonista acaba se tornando o personagem mais importante da história, e já é célebre o ditado de que o herói é tão bom quanto o seu vilão. Assim como o personagem principal, o antagonista também deve ter uma motivação convincente e deve ser extremamente difícil de ser derrotado. Um dos principais problemas do herói Superman é a falta de bons antagonistas, pois a excessiva força do personagem acaba dificultando processo de criação dos seus inimigos, até para escritores experientes. Conclusão: Estabelecendo Laços entre o Público e o Personagem O objetivo principal na construção de um personagem deve ser o estabelecimento de fortes laços entre ele e o público da obra. Se o personagem for um "herói", o público deve torcer para ele. Se construirmos um vilão eficiente, o público deve odiá- lo, ou como ocorre muitas vezes, também amá-lo. O que queremos que a audiência sinta ao ver o personagem é empatia, e não simpatia. Você pode achar algum personagem simpático mas não se importar e nem torcer por ele. A empatia é muito mais forte. Existem várias formas de fazermos com que o leitor/espectador sinta empatia por um personagem. Podemos fazer com que ele sinta medo e dúvidas, ou seja, humanizá-lo. Podemos tornar o seu objetivo algo praticamente impossível, constituindo uma causa nobre utópica. Pode-se fazer com que o personagem sofra com a vida, mas nunca entregue os pontos (o famoso underdog). Blake Snyder sintetiza muito bem esse princípio, ao defender no início de uma obra uma cena de "Salvar o Gato" (Save the Cat scene) - É a cena onde encontramos o herói e ele realiza uma ação "agradável", daí o exemplo de salvar um gato na árvore, que define um pouco do personagem e conquista a audiência. Um outro exemplo clássico fornecido é o diálogo de cenas iniciais de Pulp Fiction entre John Travolta e Samuel L. Jackson dentro do carro. O diálogo fala sobre nomes de sanduíches e faz a audiência se identificar com personagens que são assassinos. Como essa cena é mostrada antes dos personagens praticarem atos de matança, a audiência já foi conquistada e eles não são vistos como simples bandidos, mas como pessoas reais. ANÁLISES DE UM PERSONAGEM (James Scott Bell) Analise seu Personagem Principal O seu personagem é inesquecível? Cativante? Forte o suficiente para carregar o leitor por todo o enredo? Um personagem principal tem que pular para fora da página. O seu faz isso? O seu personagem evita clichés? Ele é capaz de nos surpreender? O que é único nesse personagem? O objetivo do personagem é forte o suficiente? Como o personagem evolui ao longo da história? Como o personagem demonstra e mostra sua força interior? Analise sua Oposição (Antagonista) A oposição ao seu personagem é interessante? Ela está bem desenvolvida, não sendo apenas algo a ser jogado como obstáculo? Ela acredita (pelo menos em sua mente) na validade de suas ações? Ela é realística? A oposição é tão ou mais forte que o personagem principal? (Deve Ser) Analise a relação entre a Oposição e o Personagem Principal O conflito entre a oposição e o personagem principal é crucial para ambos? Porque eles simplesmente não desistem? Não se afastam? O que os prende? O que os liga? Analise os Personagens Secundários Quais são os objetivos deles no enredo? São vibrantes e/ou interessantes? PERGUNTAS PARA SEU PERSONAGEM (Victoria Lynn Schmidt) Faça também as seguintes perguntas sobre seu personagem: Ele é introvertido ou extrovertido? Ele resolve os problemas usando instintos, pensamento lógico ou emoção? Ele quer mudar o mundo? Onde ele vive? Descreva seu quarto. Como ele se sente em relação a sua aparência? Como ele se sente em relação sua família e filhos? O que ele pensa sobre o casamento e o sexo oposto? Quais são seus hobbies? Quais são seus tipos de amigos? O que ele acha engraçado e/ou prazeroso? Como ele se sente em relação a sua sexualidade? Ele precisa ter sempre o controle sobre o que há em sua volta? O que outros personagens dizem sobre ele quando ele sai da sala? Ele leva a vida a sério ou age como uma criança a maior parte do tempo? Onde ele passa seus tempos vagos? O que importa para o seu personagem? O que o motiva? Como os outros personagens o vêem? Quais as três coisas que mais possuem valor? Seu modo de vida? Um objeto? De que ele tem medo? Como ele agirá quando estiver com medo? Bons estudos!