2001: Uma Odisséia no Espaço

Por Sandro Massarani Nome: 2001: Uma Odisséia no Espaço Rating: 10 / 10 Nome Original: 2001: A Space Odyssey Ano: 1968 País: EUA / Inglaterra Cor: Colorido Duração: 141 min. Dirigido por: Stanley Kubrick Escrito por: Arthur C. Clarke, Stanley Kubrick Estrelado por: Keir Dullea, Gary Lockwood, Douglas Rain (voz do HAL 9000) "Me desculpe Dave, mas temo não poder fazer isso". Enredo: Um filme difícil de ser resumido. Uma viagem filosófica que começa em uma sociedade de ancestrais humanos e avança para um futuro de viagens espaciais, tendo como eixo de ligação estranhos monolitos (grandes pedras) de origem desconhecida, e apresentando uma missão secreta para Júpiter que coloca um grupo de astronautas contra com o mais avançado computador criado pelo homem. Histórico: Kubrick já era um diretor bem conceituado em 1968, um ano crítico na história mundial, já tendo feito filmes de sucesso como Glória Feita de Sangue (1957), Spartacus (1960), Lolita (1962), e Dr. Fantástico (1964), quando lançou após cinco anos de produção, uma de suas obras-primas: 2001 - Uma Odisséia no Espaço, baseada no conto The Sentinel, do renomado escritor Arthur C. Clarke. Financiado pela MGM, 2001 custou US$10.500.000,00, ultrapassando em US$4 milhões o orçamento inicial, e foi finalizado com um atraso de praticamente um ano e meio, provocando além de grande antecipação do público, fortes insatisfações dos executivos. Mas praticamente ninguém estava preparado para o que estava por vir. Durante a pré-estréia, diversas pessoas saíram no meio da exibição, não aguentando o ritmo lento do filme e suas especulações filosóficas. Kubrick chegaria a cortar para a estréia oficial mais de 15 minutos da versão original, eliminando algumas cenas que ele considerava repetitivas. Ainda assim, 2001 é um tipo de ficção científica com um ritmo bem parado, não tendo de forma alguma fortes elementos de ação, requerendo uma mente aberta e contemplativa para ser bem aproveitado. O filme provoca nas pessoas reações extremamente polarizadas. Ou é considerado uma das maiores obras-primas já feitas, ou é um filme obscuro, impreciso, e insuportável. É um prato cheio para quem gosta de escavar assuntos polêmicos e profundos. 2001 foi indicado para 4 prêmios da academia, incluindo diretor e roteiro, vencendo o Oscar de efeitos especiais. É um filme para reflexões, ponderações, indagações, tudo sem respostas exatas. É um raro caso onde a falta de explicações engrandece a obra. A sua sequência, a talvez desnecessária 2010: O Ano que Fizemos Contato, que foi dirigida por Peter Hyams em 1984, busca dar algumas respostas ao público, e por isso caminha em uma proposta um pouco diferente, e na minha opinião inferior, já que a chave de 2001 reside em seus mistérios. Stanley Kubrick realizaria depois de 2001: Uma Odisséia no Espaço, uma sequência impressionante de obras: Laranja Mecânica (1971), Barry Lyndon  (1975), O Iluminado (1980) e Nascido para Matar (1987), sempre buscando retirar do espectador aquele algo mais, criar perguntas, provocar debates. É a arte em seu patamar mais elevado. Prós: - Logicamente, todos os filmes são considerados obras de arte. Porém, 2001 é uma obra de arte de nível superior no sentido da qualidade e da transcendência de seu significado. Um dos grandes filmes de todos os tempos, cuja experiência visual e intelectual é única, seja ela para o espectador agradável ou não. - Possui a mais brilhante transição de cena da história do cinema. O corte de imagem do osso para a estação espacial transporta em milésimos de segundos o espectador por 4 milhões de anos imediatamente causando questionamentos e espanto. Toda vez que eu a vejo fico sem palavras. - A decisão de Kubrick de manter a música clássica, utilizada na edição, mesmo tendo encomendado ao compositor Alex North uma trilha sonora original. Não há como imaginar uma trilha melhor e que se misture tão bem com o visual. Danúbio Azul nunca soou tão magnífica. - Um dos maiores vilões de todos, o computador de bordo HAL 9000. - A elevada qualidade dos efeitos especiais, feitos por Douglas Trumbull, que mantém quase que todo o seu impacto original até hoje e estabeleceu o padrão de qualidade a ser seguido. As estações espaciais, as construções futuristas e as naves, algumas vezes buscam um aspecto mais realista do que o filme comum de ficção científica, contribuindo para a credibilidade dos efeitos e da narrativa. Humilha muitos filmes cujos efeitos são baseados nos mais avançados softwares e computadores. Trumbull também estaria por trás de um dos filmes mais atmosféricos já realizados: Blade Runner (Ridley Scott, 1982). Contras: - Para dar ênfase em sua visão, Kubrick buscou evitar uma interpretação mais significativa de seus atores, e isso algumas vezes prejudica o fluxo narrativo. A melhor atuação acaba sendo a voz do computador, feita por Douglas Rain. - A falta de um desenvolvimento mais claro e linear do enredo pode ser um obstáculo até para alguém disposto à absorver as idéias do filme. Tem que deixar ser levado. É bem complicado analisar o roteiro de 2001. Não há pontos claros de transição e o objetivo dos personagens humanos é bem inferior à mensagem que Kubrick deseja transmitir, transformando a obra em uma espécie de busca pelo destino e futuro da humanidade. - Para ser apreciado em sua totalidade deve ser visto em uma tela grande, assim como Lawrence da Arabia (David Lean, 1962), caso contrário seu impacto visual será drasticamente reduzido. Na verdade isso não é em si um ponto contra, mas como poucas pessoas tem acesso à 2001 no cinema ou em uma televisão gigante, acaba pesando de maneira negativa. Devo Assistir ?  Não é de forma alguma um filme fácil de assistir, com pouquíssimos diálogos e ritmo lento. O espectador precisa ter alguma afinidade por ficção científica e discussões sobre a existência humana. Para quem penetra fundo nas perguntas levantadas, o filme proporciona uma das melhores experiências cinematográficas já concebidas.
tópicos sobre narrativa, roteiros e mundos virtuais
Além do Cotidiano
A famosa transição de cena: de um osso para uma nave.
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2001: Uma Odisséia no Espaço

Por Sandro Massarani Nome: 2001: Uma Odisséia no Espaço Rating: 10 / 10 Nome Original: 2001: A Space Odyssey Ano: 1968 País: EUA / Inglaterra Cor: Colorido Duração: 141 min. Dirigido por: Stanley Kubrick Escrito por: Arthur C. Clarke, Stanley Kubrick Estrelado por: Keir Dullea, Gary Lockwood, Douglas Rain (voz do HAL 9000) "Me desculpe Dave, mas temo não poder fazer isso". Enredo: Um filme difícil de ser resumido. Uma viagem filosófica que começa em uma sociedade de ancestrais humanos e avança para um futuro de viagens espaciais, tendo como eixo de ligação estranhos monolitos (grandes pedras) de origem desconhecida, e apresentando uma missão secreta para Júpiter que coloca um grupo de astronautas contra com o mais avançado computador criado pelo homem. Histórico: Kubrick já era um diretor bem conceituado em 1968, um ano crítico na história mundial, já tendo feito filmes de sucesso como Glória Feita de Sangue (1957), Spartacus (1960), Lolita (1962), e Dr. Fantástico (1964), quando lançou após cinco anos de produção, uma de suas obras-primas: 2001 - Uma Odisséia no Espaço, baseada no conto The Sentinel, do renomado escritor Arthur C. Clarke. Financiado pela MGM, 2001 custou US$10.500.000,00, ultrapassando em US$4 milhões o orçamento inicial, e foi finalizado com um atraso de praticamente um ano e meio, provocando além de grande antecipação do público, fortes insatisfações dos executivos. Mas praticamente ninguém estava preparado para o que estava por vir. Durante a pré-estréia, diversas pessoas saíram no meio da exibição, não aguentando o ritmo lento do filme e suas especulações filosóficas. Kubrick chegaria a cortar para a estréia oficial mais de 15 minutos da versão original, eliminando algumas cenas que ele considerava repetitivas. Ainda assim, 2001 é um tipo de ficção científica com um ritmo bem parado, não tendo de forma alguma fortes elementos de ação, requerendo uma mente aberta e contemplativa para ser bem aproveitado. O filme provoca nas pessoas reações extremamente polarizadas. Ou é considerado uma das maiores obras-primas já feitas, ou é um filme obscuro, impreciso, e insuportável. É um prato cheio para quem gosta de escavar assuntos polêmicos e profundos. 2001 foi indicado para 4 prêmios da academia, incluindo diretor e roteiro, vencendo o Oscar de efeitos especiais. É um filme para reflexões, ponderações, indagações, tudo sem respostas exatas. É um raro caso onde a falta de explicações engrandece a obra. A sua sequência, a talvez desnecessária 2010: O Ano que Fizemos Contato, que foi dirigida por Peter Hyams em 1984, busca dar algumas respostas ao público, e por isso caminha em uma proposta um pouco diferente, e na minha opinião inferior, já que a chave de 2001 reside em seus mistérios. Stanley Kubrick realizaria depois de 2001: Uma Odisséia no Espaço, uma sequência impressionante de obras: Laranja Mecânica (1971), Barry Lyndon (1975), O Iluminado (1980) e Nascido para Matar (1987), sempre buscando retirar do espectador aquele algo mais, criar perguntas, provocar debates. É a arte em seu patamar mais elevado. Prós: - Logicamente, todos os filmes são considerados obras de arte. Porém, 2001 é uma obra de arte de nível superior no sentido da qualidade e da transcendência de seu significado. Um dos grandes filmes de todos os tempos, cuja experiência visual e intelectual é única, seja ela para o espectador agradável ou não. - Possui a mais brilhante transição de cena da história do cinema. O corte de imagem do osso para a estação espacial transporta em milésimos de segundos o espectador por 4 milhões de anos imediatamente causando questionamentos e espanto. Toda vez que eu a vejo fico sem palavras. - A decisão de Kubrick de manter a música clássica, utilizada na edição, mesmo tendo encomendado ao compositor Alex North uma trilha sonora original. Não há como imaginar uma trilha melhor e que se misture tão bem com o visual. Danúbio Azul nunca soou tão magnífica. - Um dos maiores vilões de todos, o computador de bordo HAL 9000. - A elevada qualidade dos efeitos especiais, feitos por Douglas Trumbull, que mantém quase que todo o seu impacto original até hoje e estabeleceu o padrão de qualidade a ser seguido. As estações espaciais, as construções futuristas e as naves, algumas vezes buscam um aspecto mais realista do que o filme comum de ficção científica, contribuindo para a credibilidade dos efeitos e da narrativa. Humilha muitos filmes cujos efeitos são baseados nos mais avançados softwares e computadores. Trumbull também estaria por trás de um dos filmes mais atmosféricos já realizados: Blade Runner (Ridley Scott, 1982). Contras: - Para dar ênfase em sua visão, Kubrick buscou evitar uma interpretação mais significativa de seus atores, e isso algumas vezes prejudica o fluxo narrativo. A melhor atuação acaba sendo a voz do computador, feita por Douglas Rain. - A falta de um desenvolvimento mais claro e linear do enredo pode ser um obstáculo até para alguém disposto à absorver as idéias do filme. Tem que deixar ser levado. É bem complicado analisar o roteiro de 2001. Não há pontos claros de transição e o objetivo dos personagens humanos é bem inferior à mensagem que Kubrick deseja transmitir, transformando a obra em uma espécie de busca pelo destino e futuro da humanidade. - Para ser apreciado em sua totalidade deve ser visto em uma tela grande, assim como Lawrence da Arabia (David Lean, 1962), caso contrário seu impacto visual será drasticamente reduzido. Na verdade isso não é em si um ponto contra, mas como poucas pessoas tem acesso à 2001 no cinema ou em uma televisão gigante, acaba pesando de maneira negativa. Devo Assistir ?  Não é de forma alguma um filme fácil de assistir, com pouquíssimos diálogos e ritmo lento. O espectador precisa ter alguma afinidade por ficção científica e discussões sobre a existência humana. Para quem penetra fundo nas perguntas levantadas, o filme proporciona uma das melhores experiências cinematográficas já concebidas.
A famosa transição de cena: de um osso para uma nave.